Por Madson Barreto · Curso de Libras, Intérprete de Libras

Mas hoje a gente vai conversar sobre a gramática da Libras, que é a Língua Brasileira de Sinais. Talvez você já saiba, mas a Libras é a língua oficial da comunidade surda no Brasil e é reconhecida pela lei.
Ela é muito importante para a inclusão social e para a comunidade surda, pois é através dela que eles conseguem se comunicar e se expressar. Mas você sabe como funciona a gramática da Libras?
Neste artigo, eu vou explicar o que é a Libras, como ela é diferente da linguagem oral e escrita e quais são as características da sua gramática. Vamos lá?
Em 2002, a Lei 10.436 estabeleceu a Libras como a língua oficial dos surdos no Brasil, garantindo o seu ensino nas escolas e o seu uso em todas as áreas da sociedade. Desde então, a Libras tem sido cada vez mais valorizada e respeitada no Brasil.
Por isso, a Libras tem suas próprias regras gramaticais, estruturas de frases e sistema de classificação de sinais (os classificadores), que diferem da gramática da linguagem oral e escrita.
Outra diferença é que a Libras é uma língua visuo-espacial, ou seja, os sinais são feitos no espaço ao redor do corpo e podem ser percebidos por outras pessoas que estejam vendo o sinalizador. Já o português é uma língua auditiva, ou seja, utilizam sons para se comunicar.
Perceba que a Libras é uma língua e como qualquer outra língua ela tem uma gramática.
Na Libras as palavras são chamadas de sinais. Então você vai juntando os sinais e você vai organizando eles numa ordem. Essa ordem gera uma frase.
A Libras como uma língua autônoma, ou seja, uma língua que possui suas próprias regras e princípios gramaticais, independentes da língua oral. Isso significa que a Libras não é uma tradução da língua oral para o sinal, mas sim uma língua completamente diferente com suas próprias características e estruturas gramaticais. A primeira linguista brasileira a desenvolver pesquisas sobre a gramática da Libras foi a dra. Lucinda Ferreira Brito, ainda na década de 1980
As descobertas da dra. Lucinda Ferreira Brito e de outros linguistas mostram que a gramática da Libras tem diversas características que a diferenciam da gramática do português. Uma dessas características é o sistema de sinais e de classificação. Na Libras, cada sinal pode corresponder a uma palavra ou a um conceito, e os sinais podem ser classificados de acordo com a parte do corpo utilizada para fazê-los e com a direção e o movimento dos dedos. Mas o significado dos sinais da Libras são independentes do português.
Outra característica da gramática da Libras é a concordância e concordância temporal. Na Libras, os sinais podem concordar com o sujeito ou com o objeto da frase, assim como os verbos podem concordar com o tempo em que a ação está ocorrendo. Além disso, a Libras tem estruturas de frases e de perguntas diferentes do português. Por exemplo, as perguntas podem ser feitas com o uso de sinais de pergunta ou com a inversão da ordem dos sinais na frase. Ou mesmo utilizando expressões faciais.
Uma das principais características da gramática da Libras é a flexibilidade, ou seja, a habilidade de se adaptar a diferentes contextos e situações de comunicação. Isso é possível graças às várias formas de expressão utilizadas pela língua de sinais, como a expressão facial, a postura corporal e os movimentos das mãos.
A sintaxe, que se refere à maneira como as palavras são combinadas para formar frases e expressões. A Libras possui suas próprias regras sintáticas, que são diferentes da gramática das línguas faladas.
Na Libras, as palavras são representadas por sinais, que podem ser combinados de diferentes maneiras para transmitir diferentes mensagens, como percebeu a dra. Lucinda Ferreira Brito.
Por exemplo: os sinais podem ser combinados em uma sequência linear, onde cada sinal é apresentado de maneira sequencial, ou podem ser apresentados de maneira simultânea, onde os sinais são apresentados ao mesmo tempo ou em uma sequência diferente da linear.
A sintaxe da Libras também inclui a estrutura das frases, o uso de palavras funcionais, como conjunções e preposições, e a colocação de palavras em uma frase. Além disso, a sintaxe da Libras também inclui a estrutura das orações e a maneira como elas são usadas para expressar diferentes tipos de mensagens, como perguntas, afirmações e negações.
Outra categoria importante da gramática da Libras é a morfologia, que se refere à formação das palavras e às suas estruturas internas. As palavras na Libras podem ser formadas a partir de diferentes sinais, que podem ser modificados de acordo com o contexto e o significado desejado...
...e isto pode influenciar diretamente a sintaxe, ou seja, a forma como as frases serão montadas em Libras.
Na Libras, a morfologia é representada por configurações de mão, locações, orientações da palma, movimentos, expressões faciais e corporais, lateralidade (mãos usadas: direta e/ou esquerda) ou mesmo se o sinal é feito com uma ou duas mãos.
Cada um destes tipos de morfemas podem ser modificados de acordo com o contexto e o significado desejado. Por exemplo, um sinal pode ser modificado para expressar diferentes tempos verbais, como o presente, o passado e o futuro. Além disso, os sinais também podem ser modificados para expressar diferentes gêneros, números e outras propriedades gramaticais.
A sintaxe da Libras é influenciada pela morfologia, pois os sinais na Libras são formadas por sinais que podem ser modificados de acordo com o contexto. Por exemplo, a locação de um sinal pode ser alterada para expressar diferentes tipos de mensagens, como perguntas, afirmações e negações. Além disso, a ordem das palavras na frase também pode ser alterada para expressar diferentes significados, como percebeu a dra. Lucinda Ferreira Brito.
Portanto, a morfologia e a sintaxe da Libras estão intimamente relacionadas, pois a morfologia influencia a sintaxe e a sintaxe depende da morfologia para expressar diferentes significados e mensagens. Por isto, alguns linguistas denominam como morfossintaxe da Libras.
Mas ficar tentando decorar regras de gramática da Libras além de cansativo e repetitivo, pode acabar fazendo você desistir no meio do caminho. E isso é triste.
Além do que, ficar tentando se lembrar das regras de gramática da Libras na hora de conversar com um surdo, só te faz ter literalmente dor de cabeça.
Por isto, o melhor jeito pra aprender a gramática da Libras é absorvendo a Libras de forma natural. E pra isso, eu e minha esposa Raquel Barreto, que é surda, poesia e escritora desenvolvemos o Método Fluente em Libras em 8 semanas, resultado de mais de 11 anos de aprofundadas pesquisas das neurociências cognitivas e da linguística da Libras.