carta de Madson Barreto
Saber Libras não é a mesma coisa que pensar em Libras.
Era uma tarde de reunião com os 55 funcionários surdos que eu coordenava. Eu sabia Libras. Tinha anos de estudo. Tinha certificado. Mas quando terminei minha sinalização, vi algo que me partiu ao meio: apenas dois dos cinquenta e cinco conseguiram me entender, e esses dois tentavam interpretar o que eu havia dito para os demais.
Saí dali com um pensamento que nunca mais me abandonou: essa diferença, silenciosa, invisível, cruel, é exatamente o que acontece com a maioria de quem estuda a língua de sinais hoje. Você estuda. Pratica. Aprende sinais novos. Mas existe um momento, na sala de aula, no culto, na reunião, na hora de interpretar, em que as mãos travam, o raciocínio vai pro português, e você percebe que ainda não chegou lá.
Não é falta de dedicação. Não é falta de dom. É falta do mapa.
Recentemente, comecei a receber mensagens de aprendizes de Libras, professores universitários, intérpretes formados, pesquisadores e estudantes avançados, todos fazendo a mesma pergunta: "Madson, qual é a ordem certa para estudar os livros? Como eu uso tudo isso junto para realmente avançar na Libras e ajudar meus alunos?"
E foi aí que precisei dizer algo importante: esses livros não foram feitos para serem usados em sequência. Eles foram desenhados para ser usados em paralelo, cada um alimentando o outro ao mesmo tempo.
Quem espera terminar um para ler o próximo perde o efeito mais poderoso do sistema: a sinergia. Cada obra cobre uma dimensão diferente do mesmo universo. Juntas, e ao mesmo tempo, elas formam o único sistema integrado de imersão profunda na Libras que existe no Brasil.
Você não precisa esperar terminar um livro para começar o próximo. O sistema foi desenhado para as quatro obras trabalharem juntas, em paralelo. É assim que a Libras deixa de travar e começa a fluir de dentro pra fora.

Madson Barreto
Escritor, Mentor e Intérprete de Libras
Cofundador da Universidade da Libras






