Curso de Libras
Aprender Libras sem conhecer surdo: ter um por perto não basta
Por Madson Barreto
O que falta a quem não tem surdo por perto é conversa, e conversa de verdade se cria em casa com três ingredientes.

Madson Barreto
Escritor, Mentor e Intérprete de Libras
Dá para aprender Libras sem conhecer nenhum surdo, e o que faz falta nesse caminho é conversa, porque conteúdo já há de sobra. Conversa de verdade tem três ingredientes: Libras viva diante dos seus olhos, uma ideia para entender e responder, e alguém que mostre o que você fez. Nenhum dos três depende de um surdo morando perto de você.
Vou mostrar como criar cada um em casa, e por que ter um surdo por perto, sozinho, também rende pouco.
É possível aprender Libras sem conhecer nenhum surdo?
É possível, sim. A língua de sinais entra pelos olhos, e os olhos podem receber Libras de verdade em qualquer cidade, desde que o caminho ponha você diante de pessoas surdas sinalizando e tenha as etapas na ordem certa. O seu CEP não decide esse aprendizado.
Um caso que eu conheço pelo nome: o Thiago Israel morava em Brejões, uma cidade do interior da Bahia, e não tinha contato nenhum com surdos. No depoimento dele, na página do método, ele diz: "Mesmo sem ter contato com surdos, fiquei fluente só pelo Método Fluente em Libras!"
É o relato de uma pessoa, com a história dela, e nunca uma média de todo mundo. Serve para mostrar que o caminho existe.
Se você quer ver até onde o estudo em casa vai, e onde ele costuma parar, eu escrevi isso em como aprender Libras sozinho.
O que falta a quem não conhece surdo: conteúdo ou conversa?
Falta conversa. Conteúdo sobra: vídeos, aplicativos e listas de sinais existem aos montes. Conversa é entender uma ideia sinalizada por uma pessoa surda e responder a ela, com algo ou alguém que mostre se a mensagem chegou.
Quando o problema parece ser "não conheço nenhum surdo", a saída parece ser achar um surdo. Quando o problema é falta de conversa, a pergunta muda: o que uma conversa precisa, e onde eu consigo cada parte? Ela precisa de três coisas:
- Libras viva. Você vê pessoas surdas sinalizando de verdade, com a lógica visual da língua de sinais, e nunca o português sinalizado, que é o português com sinais por cima.
- Uma ideia para entender e responder. Cenas, histórias e diálogos em que você capta o sentido e reage, e nunca uma lista de sinais soltos para decorar.
- Retorno. Alguém, como um professor ou uma equipe, que vê o que você fez e mostra o que ajustar.
Repare que a lista fala do que acontece dentro da conversa, e nada sobre a cidade onde você mora.
Ter um surdo por perto garante que você aprende Libras?
Ajuda muito, e sozinho costuma render devagar. A convivência ensina por acaso: ninguém ali tem a intenção de ensinar você, então o aprendizado depende de muitas horas. O que faz diferença é a imersão com intenção, montada para você absorver a língua de sinais.
Eu vi isso no trabalho. Coordenei 55 funcionários surdos numa instituição, e os colegas de trabalho deles conviviam com eles. Na minha experiência, esses colegas sabiam o cumprimento e umas poucas palavras do expediente, como café e horário.
Na minha experiência, o mesmo acontece com a maioria dos familiares de surdos: moram com um surdo e falam pouca Libras.
Quando a pessoa chega a esse encontro só com meia dúzia de sinais vistos no YouTube, costuma tentar, errar, não entender a resposta e parar no meio do caminho. Descrevi esse travamento em como parar de travar na frente dos surdos.
Como criar conversa de verdade em Libras sem conhecer surdo?
Monte um ambiente de imersão com intenção: Libras real diante dos olhos todos os dias, cenas em que você entende e reage, e alguém que devolva o que você fez. É esse o caminho do Método Fluente em Libras em 8 semanas, pensado para quem estuda de casa, no horário que tem.
Libras viva diante dos olhos
Eu costumo dizer que a esponja só absorve dentro da água. Deixada no ar, ela não absorve nada. Com a Libras acontece igual: o ambiente é que faz a absorção acontecer.
No Fluente em Libras, você aprende observando surdos nativos se comunicando, em vídeos imersivos e histórias visuais. Essa água existe mesmo na cidade onde não há um surdo por perto.
Uma ideia para entender e responder
O método usa histórias e simulações de diálogos reais, em que você entende a ideia e responde a ela, sem traduzir do português na cabeça. Na semana 6 do método, o marco é pensar direto em Libras.
Escrevi sobre esse hábito em como pensar em Libras sem traduzir do português.
Alguém que mostre o que você fez
Nas aulas práticas, os professores são surdos, entre eles a Raquel, minha esposa. Uma equipe de suporte tira as dúvidas, e existe uma comunidade de estudantes ativa. Tudo isso para a sua prática ficar sólida antes de você conversar com surdos de fato.
Você avança e revisa as aulas quando quiser, de manhã, de tarde ou de noite.
Como saber se você já está pronto para o primeiro encontro com um surdo?
Você está pronto quando consegue se comunicar no dia a dia: entende a ideia da pessoa surda e se faz entender, pensando direto em Libras, sem traduzir do português na cabeça. Esse é o comportamento que eu chamo de fluência, e ele dá para observar em você mesmo.
Os sinais de que você chegou lá são simples de reconhecer. Você acompanha um vídeo de uma pessoa surda sem depender de legenda, responde a uma pergunta em Libras sem montar a frase em português antes e entende um surdo de outra cidade, com outro jeito de sinalizar.
O primeiro encontro ganha outro peso quando você chega assim. Você vai para entender a ideia e responder, e não para provar que sabe. As três perguntas que eu uso para medir esse ponto estão em como aprender Libras sozinho.
No método, a semana 6 traz o marco de pensar direto em Libras, e a semana 8 fecha o percurso com o comunicador fluente. Esse é o percurso do método para quem segue as etapas, e cada aluno conta o prazo dele.
Como somar o convívio com surdos quando ele aparecer?
Some com intenção: vá ao encontro para entender e responder, e deixe o convívio completar o que você já estuda. Igrejas, associações e eventos com surdos, e os perfis de pessoas surdas nas redes, viram uma imersão muito útil quando você já reconhece a língua de sinais.
A Andresa Abreu, de Tubarão, em Santa Catarina, conta no depoimento dela: numa viagem a outro estado, conseguiu entender tudo o que o professor surdo estava fazendo em Libras, em 8 semanas.
Uma aluna que aprendeu 100% pela internet conta, na página do método, que antes "via os surdos e saía de fininho". Cada aluno conta o prazo e o caminho dele.
Quando o primeiro surdo aparecer na sua vida, a conversa já vai ter um chão: você chega com Libras nos olhos e com o hábito de responder.
Qual é o próximo passo para quem não conhece nenhum surdo?
O próximo passo é escolher um caminho que entregue os três ingredientes e começar por ele, no seu horário. O Libras Essencial mira o que faz diferença na comunicação do dia a dia. O Método Fluente em Libras em 8 semanas leva a conversa mais longe.
O Método Fluente em Libras promete que quem segue todas as etapas está se comunicando em Libras ao final das 8 semanas. Para entender esse prazo com calma, leia você fluente em Libras em 8 semanas.
Você pode começar pelo essencial ou ir direto ao método completo. Os dois caminhos passam pelo mesmo ponto: a conversa acontecendo, mesmo que o primeiro surdo ainda esteja longe. Se quiser comparar opções, use as perguntas de como escolher um curso de Libras.
Perguntas frequentes
Dá para aprender Libras sem conhecer nenhum surdo?
Dá. A língua de sinais entra pelos olhos, e um caminho com Libras real em vídeo, cenas para entender e responder e alguém que dê retorno cria a conversa em casa. O Thiago Israel, de Brejões (BA), conta no depoimento dele que ficou fluente sem ter contato com surdos.
Como praticar Libras sem ter com quem conversar?
Crie os três ingredientes da conversa: Libras viva nos olhos todos os dias, cenas e diálogos em que você entende a ideia e responde, e retorno de quem vê o que você fez. No Fluente em Libras, os professores das aulas práticas são surdos e uma equipe tira as dúvidas.
Preciso morar perto de uma comunidade surda para ficar fluente?
Fluência em Libras é conseguir se comunicar com surdos no dia a dia, pensando direto em Libras. Ela depende de ver Libras de verdade, de entender ideias e de responder com retorno. A cidade onde você mora define o primeiro encontro, e o seu estudo define a conversa.
Ter um familiar surdo em casa basta para aprender Libras?
Ajuda, e na minha experiência quase nunca basta sozinho: a maioria dos familiares de surdos que conheço fala pouca Libras, mesmo morando com um surdo. A convivência ensina por acaso, e um caminho com etapas e retorno dá direção a essas horas.
