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Libras para iniciantes

Sinais básicos em Libras: por que uns ficam e outros somem

Por Madson Barreto

Seis grupos de sinais aparecem primeiro em qualquer conversa. Saiba por que uns ficam, outros somem e o que trava quando os básicos acabam.

Madson Barreto

Escritor, Mentor e Intérprete de Libras

Publicado em
Tempo de leitura
8 min de leitura

Os sinais básicos em Libras são os que aparecem primeiro em qualquer conversa: cumprimentos, apresentação, perguntas simples, família, tempo e números. Todo iniciante começa por eles, e quase todos descobrem a mesma coisa em poucos dias: alguns sinais ficam, outros somem. Isso não é memória fraca. O que decide é o tipo de sinal e a forma como você o encontra.

Neste texto eu mostro os seis grupos que você encontra primeiro, por que uns ficam e outros escapam, e o que trava depois dos básicos.

Quais são os sinais básicos em Libras que o iniciante encontra primeiro?

Os sinais básicos em Libras se organizam em seis grupos: cumprimentos e gentilezas, apresentação, perguntas do dia a dia, pessoas e família, tempo e números, e o alfabeto manual. Juntos, eles cobrem os primeiros minutos de uma conversa com uma pessoa surda.

  • 1. Cumprimentos e gentilezas: abrir e fechar o contato, agradecer, pedir licença.
  • 2. Apresentação: dizer quem você é, o seu nome, a sua idade e de onde você vem.
  • 3. Perguntas do dia a dia: quem, o quê, onde, quando, por quê e como.
  • 4. Pessoas e família: marcam de quem você está falando, como mãe, pai, amigo e colega.
  • 5. Tempo e números: hoje, ontem, amanhã, horas, idade e quantidades.
  • 6. Alfabeto manual: a soletração, usada para nomes de pessoas e de lugares que ainda não têm sinal.

Aqui fica o mapa. Ver cada sinal sendo feito é com quem sinaliza, e por isso este texto conta o que cada grupo faz na conversa, sem descrever a execução.

Por trás de cada grupo está uma língua de sinais com gramática própria. Desde a Lei 10.436, de 2002, a Língua Brasileira de Sinais é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, e o artigo sobre a gramática da Libras mostra como ela se organiza.

Os verbos do dia a dia têm lista própria em 10 verbos em Libras mais usados.

Por que alguns sinais básicos em Libras ficam na memória e outros somem?

Uns ficam porque têm uma imagem que sustenta a lembrança, e outros somem porque foram combinados entre as pessoas surdas sem imagem que ajude. Os primeiros são os sinais icônicos, que lembram o que representam. Os segundos são os arbitrários, que só se guardam pelo uso.

Eu explico essa diferença nas aulas e nos vídeos do canal. O sinal icônico dá uma pista: quem o vê pela primeira vez consegue arriscar o significado. O arbitrário não dá pista nenhuma, e por isso pede mais uso para ficar.

Como explico nas aulas, muitos sinais que hoje parecem sem imagem nasceram de uma imagem que o tempo apagou. E vale separar duas coisas que o ouvinte costuma misturar: o gesto que qualquer pessoa faz ao telefone não tem significado combinado, e o sinal tem. Por isso sinal é palavra de uma língua de sinais, e gesto solto fica de fora dela.

O que faz um sinal grudar, então, é o vínculo com uma imagem, uma cena ou uma emoção. A quantidade de repetição vem depois.

Se você já viveu aprender vários sinais num dia e lembrar de um ou dois no seguinte, o texto sobre por que você esquece os sinais da Libras explica o que acontece, e o artigo sobre como memorizar sinais sem esquecer na hora de usar mostra o caminho para a lembrança durar.

Por que o mesmo sinal básico muda de significado e de lugar para lugar?

Porque a Libras é uma língua de sinais, e não uma lista de palavras do português trocadas uma a uma. Um sinal pode ter mais de um significado, conforme o contexto, e o mesmo conceito pode ter sinais diferentes de uma região para outra do Brasil.

Na cortesia isso já aparece. Um único sinal pode servir a duas expressões que o português separa, como "por favor" e "com licença". Quem estuda com uma palavra do português ao lado de cada sinal acaba pensando em português e traduzindo na hora da conversa.

É o caminho do português sinalizado, e o artigo sobre como evitar confundir sinais da Libras mostra onde essa confusão começa.

A variação de região pede outro olhar. Se a pessoa surda da sua cidade usa um sinal diferente do que você viu num vídeo, você está diante de uma língua de sinais viva. Sinais de vários assuntos mudam de estado para estado, e por isso o contato com surdos da sua região vale tanto.

O rosto entra nessa conversa também. A expressão facial e corporal faz parte da gramática da Libras e muda o que o sinal quer dizer. O artigo sobre expressões faciais em Libras trata desse ponto com calma.

Alfabeto e números em Libras são sinais básicos ou só um atalho?

São sinais básicos e uma boa porta de entrada, mas não o centro da conversa. O alfabeto manual serve para soletrar nomes de pessoas e de lugares sem sinal próprio, e os números ajudam com idade, hora e quantidade. Quem tenta conversar só soletrando trava rápido.

Nos vídeos do canal eu repito uma frase que resume isso: a comunicação em Libras não depende de você ficar só soletrando coisas. A soletração é um recurso para o momento certo, e o texto sobre o alfabeto manual em Libras e a datilologia mostra qual é esse momento.

Repare no que os seis grupos têm em comum: todos servem à conversa. Cumprimentar, se apresentar, perguntar, falar de alguém, marcar o tempo e soletrar um nome são peças de uma mesma cena. Na minha experiência, o iniciante que estuda cada grupo como lista de vocabulário sente o conhecimento evaporar, e o que estuda como cena sente ele ficar.

O que trava depois dos sinais básicos em Libras?

Trava a conversa de verdade. Quem domina os sinais básicos consegue cumprimentar e se apresentar, e ainda assim congela diante de uma pessoa surda que responde na velocidade e na estrutura natural da língua de sinais. Saber sinais e conversar são duas habilidades.

Eu saí da escola sem conseguir conversar em inglês. Provavelmente você também. Foram anos de aula, palavra por palavra. Com os sinais soltos a história se repete: na minha experiência, a cada cinco sinais que a pessoa aprende isolados, uns três escapam, e ela recomeça do ponto de partida.

Isso não desaparece só com o tempo. Uma mentorada que já interpreta em eventos me contou que, quando um sinal escapa, vem o branco, o nervosismo e a insegurança. Na minha leitura, é o sinal sem raiz escapando na hora da pressão.

O ponto de virada é sair da lista e passar a pensar na ideia, sinalizando direto, sem montar a frase em português antes. Escrevi sobre isso em como pensar em Libras sem traduzir do português.

Como praticar os sinais básicos em Libras para eles ficarem?

Prenda cada sinal a uma cena real, assista a pessoas surdas sinalizando e registre o que aprendeu de um jeito que a mente possa revisitar. O sinal solto, sem cena e sem uso, é o primeiro a sair.

  • 1. Escolha o grupo da semana pela situação em que você quer conversar: a sala de aula, o culto, o balcão, a família.
  • 2. Ligue cada sinal a uma cena (quem estava, onde, o que você sentiu) em vez de ligar a uma palavra do português.
  • 3. Assista a pessoas surdas sinalizando, sem legenda, e procure os seis grupos do mapa dentro da conversa.
  • 4. Registre o que aprendeu. A Escrita de Sinais faz isso muito bem, porque cada parte do sinal vira um símbolo que o cérebro precisa notar. Ela é o assunto do Box Libras Sem Travas.

No fim da semana, veja quais grupos ficaram e quais ainda escapam. Esse retrato mostra onde a prática precisa de reforço. Para o caminho completo de quem está começando, leia Libras iniciante: como aprender língua de sinais.

Qual é o próximo passo depois dos sinais básicos em Libras?

O próximo passo é conversar, com prática guiada: um professor surdo que vê a sua sinalização e alguém que tira as suas dúvidas. É a etapa que transforma sinais básicos em conversa.

O Método Fluente em Libras em 8 semanas foi desenhado para essa etapa. Ele promete que quem segue todas as etapas está se comunicando em Libras ao final das 8 semanas, e você pode praticar sem conhecer nenhuma pessoa surda antes.

Andresa Abreu, de Tubarão, em Santa Catarina, estudava Libras havia cinco anos quando fez o método. No depoimento dela, numa viagem a outro estado, ela entendeu tudo o que um professor surdo fazia em Libras em 8 semanas. Cada aluno conta o prazo dele.

Você pode continuar juntando sinais soltos ou ir direto para a etapa da conversa. Nos dois caminhos, os seis grupos deste mapa continuam sendo o seu ponto de partida.

Perguntas frequentes

Quais são os sinais básicos em Libras?

São os sinais dos seis grupos que aparecem primeiro na conversa: cumprimentos e gentilezas, apresentação, perguntas do dia a dia, pessoas e família, tempo e números, e o alfabeto manual. Eles cobrem os primeiros minutos de um encontro com uma pessoa surda, e cada um serve a uma função na conversa.

Quantos sinais básicos eu preciso saber para conversar em Libras?

Nenhum número serve para todo mundo. Vale mais medir pela situação: o que você quer conseguir dizer e entender na sala de aula, no culto, no trabalho ou em casa. Comece pelo grupo da situação que você mais vai viver e avance a partir dela.

Os sinais básicos em Libras são iguais no Brasil inteiro?

Muitos sinais mudam de região para região, e um mesmo conceito pode ter sinais diferentes conforme o estado. A Libras é uma língua de sinais viva, e essa variação faz parte dela. O contato com pessoas surdas da sua cidade mostra os sinais que circulam aí.

Dá para aprender sinais básicos em Libras só com lista ou vídeo?

Lista e vídeo servem para conhecer os grupos e ver o sinal. Para lembrar na hora e conversar, some uma cena real de uso, contato com pessoas surdas e alguém que devolva o que você fez. A lembrança dura mais quando o sinal tem raiz na cena e no uso.

Como citar este artigo

Formato ABNT (NBR 6023), para trabalhos acadêmicos.

BARRETO, Madson. Sinais básicos em Libras: por que uns ficam e outros somem. Salvador: Universidade da Libras, 2026. Disponível em: https://universidadedalibras.com.br/post/sinais-basicos-em-libras. Acesso em: data em que você lê a página.