Curso de Libras
"O que é Libras: uma língua de sinais completa, não português feito com as mãos"
Por Madson Barreto
"A resposta cabe em uma frase. O que só quem convive com surdos percebe leva o resto do texto."

Madson Barreto
Escritor, Mentor e Intérprete de Libras
Libras é a Língua Brasileira de Sinais: a língua de sinais das comunidades surdas do Brasil, feita de sinais, expressão do rosto e uso do espaço, com gramática própria. Uma lei federal a reconheceu em 24 de abril de 2002. Quem convive com ela percebe o que a definição do dicionário não mostra: a Libras se organiza pelo olhar, e o português se organiza pelo som.
Este texto responde a pergunta em uma frase e depois mostra o que só aparece na convivência: como uma língua de sinais pensa, por que ela é uma língua de sinais própria e nunca o português feito com as mãos, e o que muda para quem decide usá-la de verdade.
O que significa Libras?
Libras significa Língua Brasileira de Sinais. É a língua de sinais que as pessoas surdas do Brasil usam para conversar, e ela passa pelos olhos e pelo corpo, em vez de passar pela voz e pelos ouvidos. Quem sinaliza usa as mãos, o rosto, o olhar e o espaço à frente do corpo ao mesmo tempo.
A Lei 10.436, de 24 de abril de 2002, reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão. O texto da lei a descreve como um sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, que nasce das comunidades de pessoas surdas do Brasil.
O Decreto 5.626, de 2005, que regulamenta essa lei, define a pessoa surda como alguém que compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais e que manifesta sua cultura principalmente pela Libras.
Guarde a palavra visual. Ela explica quase tudo o que vem a seguir.
Libras é uma língua de sinais ou uma linguagem?
Libras é uma língua de sinais completa. Tem vocabulário, gramática e formas próprias de organizar uma frase, e serve para falar de qualquer assunto, da conversa de cozinha à sala de aula. A própria lei diz isso quando fala em estrutura gramatical própria.
Um gesto solto, como apontar ou acenar, leva uma informação curta. Uma língua de sinais leva ideias, argumentos, piadas e histórias inteiras. Eu vivo essa diferença todo dia ao lado da Raquel, minha esposa, que é surda: estamos casados há mais de treze anos, e a nossa casa funciona em Libras.
Se você quer ver a estrutura por dentro, escrevi um artigo só sobre isso: Libras tem gramática.
O que só quem vive a língua de sinais percebe?
Percebe que a Libras funciona como uma cena que se mostra. O espaço à frente do corpo vira um palco, o rosto entra na gramática e várias informações chegam juntas, no mesmo instante.
Uma língua de sinais que você enxerga
Quando eu e a Raquel começamos a namorar, ela me contou, em Libras, como tinha chegado em casa: a escada até o segundo andar, a chave na porta, a porta que abre para fora, o sobrinho brincando no chão. Na semana seguinte, quando entrei na casa dela pela primeira vez, reconheci a cena inteira.
Ela me deu uma cena para ver, sem lista de palavras. A postura dela mudava para mostrar a criança curvada no chão, o olhar mostrava a direção do movimento, e tudo isso acontecia ao mesmo tempo.
O rosto e o corpo fazem parte da frase
Na Libras, a expressão do rosto, o olhar e a postura carregam parte do sentido da frase. Por isso quem só olha para as mãos perde parte da mensagem. Explico esse ponto com calma em como melhorar suas expressões faciais em Libras.
O espaço guarda pessoas e coisas
Quem sinaliza usa o espaço para colocar personagens, objetos e lugares, e depois volta a eles como quem aponta para um mapa. É esse recurso que faz a Libras contar uma cena com tanta precisão. Ele aparece com força nos classificadores, a parte da gramática que só parece mímica.
Libras é o português feito com as mãos?
Não. A Libras tem estrutura independente do português. A lógica do português nasce do som, e a lógica da Libras nasce do que se vê. Copiar o português palavra por palavra, com sinais, é o português sinalizado, e, na minha experiência, ele trava a conversa com quem é surdo.
Eu aprendi isso pelo erro. Estava numa escola de surdos, observando, quando uma mãe surda chegou, apontou para o bebê e sinalizou. Entendi cachorro e fiquei sem entender por que ela falava de cachorro. Dias depois ela voltou com uma bombinha de inalação na mão, e o que ela tinha me dito era que o bebê precisava de inalação.
Eu conhecia o sinal, mas só um sentido dele, aprendido solto, palavra por palavra. A minha cabeça encaixou o sentido que eu sabia e me levou ao lugar errado. Conto essa cena com mais calma em como parar de travar ao interpretar em Libras.
Passei mais de seis anos estudando pelo caminho da tradução, sinal por sinal, achando que estava certo. O que mudou a minha conversa foi parar de traduzir e começar a enxergar a cena, e a lógica visual é a chave dessa virada. Você pode ler mais em como pensar em Libras sem traduzir do português.
A Libras é universal?
Não. Cada país tem a própria língua de sinais, formada pela história do seu povo surdo. A Libras é a língua de sinais do Brasil.
Dentro do próprio Brasil, na minha experiência, o mesmo conceito pode ter sinais diferentes conforme a região, como acontece com o português falado. Isso mostra uma língua de sinais viva, usada por gente de verdade em lugares diferentes. Explico os detalhes em Libras é uma língua de sinais universal.
De onde vem a Libras?
A Libras que hoje se ensina passa pelo Rio de Janeiro do século XIX. O professor surdo francês Adolphe Édouard Huet propôs ao imperador D. Pedro II uma escola para surdos, e o imperador apoiou a ideia. A Lei nº 939, de 26 de setembro de 1857, marca o momento em que essa proposta virou instituição, o atual Instituto Nacional de Educação de Surdos.
Dessa língua de sinais trazida da França, misturada com os sinais que os surdos brasileiros já usavam entre si, descende a Libras. Conto essa jornada com os documentos em história do INES: como nasceu a educação de surdos no Brasil em 1857.
Eu vejo a minha história com a Raquel como a continuação dessa jornada. Uma pessoa surda e um ouvinte, lado a lado, como Huet e D. Pedro II, hoje ensinando Libras a quem quer conversar com surdos: a Raquel como professora surda, e eu como intérprete e mentor.
Por onde começa quem quer usar a Libras de verdade?
Começa por tratar a Libras como língua de sinais de verdade, e por conviver com ela. A minha história começou assim. Eu ficava sentado na porta de uma escola de surdos, na hora do almoço, olhando crianças e adolescentes conversando em Libras, e aquilo me emocionava.
Fluência em Libras é conseguir se comunicar com surdos no dia a dia, entendendo e se fazendo entender, pensando direto em Libras, sem traduzir do português na cabeça. Chegar lá pede prática guiada, com quem veja a sua sinalização.
O Libras Essencial mira o que faz diferença na comunicação do dia a dia. O Método Fluente em Libras em 8 semanas promete que quem segue todas as etapas está se comunicando em Libras ao final das 8 semanas.
Andresa Abreu, de Tubarão, em Santa Catarina, estudava Libras havia cinco anos quando fez o método. No depoimento dela, em 8 semanas ela entendeu tudo o que o professor surdo fazia em Libras numa viagem a outro estado. Cada aluno conta o prazo dele.
Se ainda está na dúvida se isso é para você, veja qualquer pessoa consegue aprender Libras. E se está começando do zero, Libras iniciante: como aprender Língua de Sinais é o ponto de partida.
Perguntas frequentes
O que é Libras em uma frase?
Libras é a Língua Brasileira de Sinais, a língua de sinais usada pelas comunidades surdas do Brasil. Ela é visual, feita de sinais, expressão do rosto e uso do espaço, tem gramática própria e foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela Lei 10.436, de 24 de abril de 2002.
Libras e língua de sinais são a mesma coisa?
Língua de sinais é o nome que se dá às línguas usadas pelas comunidades surdas pelo mundo. Libras é a língua de sinais do Brasil. Cada país tem a sua, com nome, sinais e gramática próprios, formados pela história do povo surdo daquele lugar.
Quem usa Libras?
A Libras é a língua de sinais das pessoas surdas do Brasil e de quem convive com elas: família, professores, intérpretes, colegas de trabalho e amigos. Ouvinte também aprende, e na minha experiência a prática com pessoas surdas pesa mais que o tempo de estudo.
Libras tem gramática própria?
Tem. A lei que reconhece a Libras fala em estrutura gramatical própria. Ela organiza as frases pelo espaço, pelo olhar e pela expressão do rosto, e o português organiza pelo som. Por isso copiar o português com sinais gera o português sinalizado.
A Libras é universal?
Não. Cada país tem a própria língua de sinais. A Libras é a do Brasil, e até aqui dentro, na minha experiência, o mesmo conceito pode ter sinais diferentes conforme a região.
Libras é uma língua de sinais ou uma linguagem?
É uma língua de sinais. Tem vocabulário, gramática e estrutura próprios e serve para falar de qualquer assunto, do cotidiano ao trabalho. Gesto solto leva uma informação curta, e a língua de sinais leva ideias completas.
Quanto tempo leva para aprender Libras?
Depende das horas de prática, da imersão e do contato com pessoas surdas, e nenhum número vale para todo mundo. No Fluente em Libras, o método promete que quem segue todas as etapas está se comunicando em Libras ao final de 8 semanas, e cada aluno conta o prazo dele.
